“Que ninguem supporá que eu ignore o nome do escriptor”: João Köpke, o tradutor

Norma Sandra de Almeida Ferreira, Maria das Dores Soares Maziero

Resumo


Neste texto apresentamos uma faceta de João Köpke (1852-1926) anunciada mas pouco explorada pelos pesquisadores da história da educação e da literatura: a de tradutor. Trazemos parte de um conjunto de documentos, ainda não analisado, como objeto e fonte de pesquisa: 1) Três publicações em jornal (1874, 1882) sobre A morgadinha de Lyon (1874), tradução de Lady of lions, de Edward Bulwer-Lytton; 2) Tragédia de uma noiva (1875a), tradução de A bride’s tragedy, de Dinah Maria Mulock Craik; As receitas do Dr. Marigold (1875b), tradução de Doctor Marigold’s prescriptions, de Charles Dickens; 3) Manuscrito datilografado Conto de amor: Evangelina (s.d.), tradução de Evangeline, a tale of Acadie, de Henry Wordsworth Longfellow; 4) publicações em periódicos impressos: O corvo (1916, 1917), tradução do poema The Raven, de Edgar Allan Poe. Buscamos, em uma pesquisa de cunho exploratório, à luz dos estudos da História Cultural, aproximar ou distanciar aspectos ligados à prática de tradução de João Köpke a fim de investigar suas motivações e finalidades para tal prática.


Palavras-chave


João Köpke; tradutor; literatura do século XIX

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DOI: https://doi.org/10.34112/2317-0972a2017v35n71p73-99

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e-ISSN: 2317-0972 - ISSN da edição impressa: 0102-387X
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