Ética como jogo de cena

Pedro Felipe M. de Araújo, Luis Antonio dos Santos Baptista

Resumo


Tendo como foco o documentário Jogo de cena,de Eduardo Coutinho, o artigo objetiva propor questionamentos acerca das posturas dominantes de interpretação sobre o sujeito de uma história narrada. Deseja também apresentar outras possibilidades de sentido do que seja a alteridade no convívio com a diferença. O filme, ao situar a cena da fala como um jogo aberto, se desloca da busca de uma estável verdade sobre si que o outro revelaria. Esse deslocamento desprivatiza a esfera do íntimo, possibilitando a produção de uma obra aberta, que torna inoperanteuma leitura única. Inspirado nas contribuições de Walter Benjamin, entre outros autores, pretende-se ressaltar a aposta de uma ética que promova percepções de mundo que não se esgotem na tentativa de classificar uma narrativa no âmbito identitário ou privatizante da subjetividade. A ética como jogo político onde histórias recusam a conclusividade do fim.


Palavras-chave


cinema documentário; subjetividade; ética

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Leitura: Teoria & PráticaAssociação de Leitura do Brasil (ALB)
e-ISSN: 2317-0972 - ISSN da edição impressa: 0102-387X