Narrativas digitais: a palpitante forma de contar histórias

Ellen Maira de Alcântara Laudares, Ilsa do Carmo Vieira Goulart

Resumo


No presente artigo foi efetuada a investigação da literatura infantil digital por meio dos aplicativos de contação de histórias. Ele tem por objetivo apontar as principais características e potencialidades dessa literatura, desde as histórias contadas pelos narradores orais, até as contações no meio digital. Para esse fim, incumbe-se de uma pesquisa exploratória com foco qualitativo, a começar pela sondagem dos aplicativos de contação de histórias disponíveis gratuitamente para download nos sistemas operacionais Android e IOS. O subsídio teórico está fundamentado nas discussões de Lévy, Chartier, Castells, Bruner, Murray, Benjamin e demais autores que dialogam sobre a temática. Constatou-se que os aplicativos de contação de histórias funcionam de forma a envolver o leitor, assim como ocorre na contação de histórias presencial. Há, no teor digital, grande número de reprodução das histórias clássicas da literatura infantil mundial, de forma que o narrador oral se torna presente, dando ao leitor acesso aos títulos universalmente difundidos, repassando, assim, a memória desses enredos de uma geração a outra, ao passo que existem muitas histórias de cunho social e religioso, que refletem, desse modo, uma visão cultural da sociedade, preferindo-se a confessionalidade.


Palavras-chave


literatura infantil digital; narrativas digitais; aplicativos de contação de histórias

Texto completo:

PDF

Referências


BENJAMIN, W. O narrador. In: Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

BENJAMIN, W. O narrador. Considerações sobre a obra de Nicolai Leskov. In: ______. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

BOGDAN, Robert; BIKLEN, Sari. Investigação qualitativa em educação: uma introdução a teoria e aos métodos. Portugal: Porto Editora, 1994.

BRUNER, J. Aspectos de significado: para uma psicologia cultural. Lisboa: Edições 70, 1990.

CARVALHO, G. S. As Histórias Digitais: Narrativas do século XXI. O Software MovieMaker como recurso procedimental para a construção de Narrações. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade de São Paulo. São Paulo, 2008. Disponível em: . Acesso em: novembro de 2016.

FERREIRA, Jacques de Lima (Org.). Formação de professores: teoria e prática pedagógica. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

LAUDARES, E. M. A. Literatura Infantil Digital: um estudo sobre os aplicativos de contação de histórias. 118f. 2018. Dissertação (mestrado Profissional em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2018.

LEMOS, A. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2002.

LEMKE, J. L. Travels in hypermodality. Visual Communication, 2002.

LÉVY, P. O Que é Virtual? Rio de Janeiro: 34, 1996.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Copyright Editora 34, 1999.

MORAES, F. Contar histórias. A arte de brincar com as palavras. Petrópolis/RJ: Editora Vozes, 2012.

MURRAY, J. Hamelet no Holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço. São Paulo: Itaú Cultural UNESP, 2003.

PATRINI, M. de L. A renovação do conto: emergência de uma prática oral. São Paulo: Cortez, 2005.

PAIVA, V. (2007). Narrativas Multimídia de Aprendizagem de Língua Inglesa: Um Gênero Emergente. Simpósio Internacional de Estudos de Gêneros Textuais, SIGET, 4, 2007, Santa Catarina. Anais do 4º Simpósio Internacional de Estudos de Gêneros Textuais, Tubarão: UNISUL, 2007. Disponível em: . Acesso em: 20 jan. 2019.

PRADO, A. L.; LAUDARES, E. M. A.; VIEGAS, P. P. C.; GOULART, I. C. V. Narrativas digitais: conceitos e contextos de letramento. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação (RIAEE), Araraquara, v. 12, n. esp. 2, p.1156-1176, ago. 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2018.

PAUL, N. Elementos das narrativas digitais. In: Ferrari, Pollyana (Org.), Hipertexto, hipermídia: as novas ferramentas da comunicação digital. São Paulo: Contexto, 2007.

RIBEIRO, A. Ler na tela: letramento e novos suportes de leitura e escrita. In: COSCORELLI, Carla; RIBEIRO, Ana Elisa. Letramento digital: aspectos sociais e possibilidades pedagógicas 3. ed. Belo Horizonte, MG: Ceake; Autêntuca Editora, 2014.

ROBIN, B. R. The educational uses of digital storytelling. CRAWFORD et al. Proceedings of Society for Information Technology and Teacher Education International Conference 2006. Chesapeake, VA: AACE, 2006.

SANTAELLA, L. Leitura de imagens. São Paulo, SP: Melhoramentos, 2012.

SCHAFER, M. A Afinação do Mundo. São Paulo: Unesp, 2011.

SISTO, Celso. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias. Belo Horizonte: Aletria, 2012.

VALENTTE, J. A. A Espiral da aprendizagem e as Tecnologias da Informação e Comunicação: Repensando Conceitos. In: JOLY, M. C. R. A. (org.), A Tecnologia no ensino: Implicações para a Aprendizagem. São Paulo, SP: Casa do Psicólogo, 2002.

VALENTE, J. A.; ALMEIDA, M. E. B. (orgs.). Formação de educadores a distância e inte-gração de mídias. São Paulo, SP: Avercamp, 2007.

VASCONCELOS, D. C.; Magalhães, H. As Narrativas Multimediáticas das Charges Animadas. Cultura Mediática: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba. Ano III, n. 1, 2010.

WEBER, M. Professores contadores de histórias. In: FERREIRA, Jacques de Lima (org.). Formação de professores: teoria e prática pedagógica. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

ZUMTHOR, P. Performance, recepção e leitura. Tradução de Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich. São Paulo: EDUC, 2000.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Leitura: Teoria & PráticaAssociação de Leitura do Brasil (ALB)
e-ISSN: 2317-0972 - ISSN da edição impressa: 0102-387X