Literatura em tempo de barbárie: um estudo sobre romances brasileiros contemporâneos

Authors

  • Gisele Novaes Frighetto Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Araraquara, SP, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.34112/2317-0972a2019v37n77p47-63

Keywords:

Barbárie, realismo, literatura brasileira contemporânea

Abstract

Este artigo propõe uma discussão a respeito dos modos de representação literária da barbárie nos romances brasileiros Simpatia pelo demônio (2016), de Bernardo Carvalho; Noite dentro da noite (2017), de Joca Reiners Terron; e Enterre seus mortos (2018), de Ana Paula Maia. A barbárie contemporânea se configuraria nesses romances como tema e forma, associada ao conceito de mediação, de Raymond Williams, que nomeia a representação de experiências sociais no interior dos objetos artísticos. Outro aspecto relevante seriam as estruturas de sentimento ligadas à experiência de um “mundo hostil”, que, segundo Tânia Pellegrini, ocasionam a permanência do realismo como refração. Com base nesses pressupostos, propõe-se uma abordagem ancorada na necessária relação entre literatura e sociedade, que permita compreender uma estética da barbárie como forma de resistência simbólica ao poder da dominação.

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biography

Gisele Novaes Frighetto, Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Araraquara, SP, Brasil.

Gisele Novaes Frighetto é graduada em Letras e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Tem doutorado em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP). É professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura da Universidade Federal de São Carlos (PPGLit/UFSCar). É bolsista de pós-doutoramento (PNPD/Capes) no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (PPGEL/ FCLAr/UNESP). Tem experiência na área de Teoria Literária, Literatura Brasileira, Literatura Comparada, Sociologia da Cultura e Educação, com pesquisa nos seguintes temas: Estética da Barbárie, Narrativa da Memória, Literatura Brasileira Contemporânea, Romance Histórico, Minissérie Televisiva e Literatura de Entretenimento.

References

ADORNO, T. Crítica cultural e sociedade. In: ADORNO, T. Indústria cultural e sociedade. 5. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2009. p. 45-61.

ADORNO, T. A posição do narrador no romance contemporâneo. In: ADORNO, T. Notas de literatura I. 2. ed. São Paulo: Editora 34; Duas Cidades, 2012. p. 55-63.

ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. O conceito de esclarecimento. In: ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. p. 19-52.

AGAMBEN, G. Homo sacer: o poder soberano e a vida nua I. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.

AGAMBEN, G. Estado de exceção. 2. ed. São Paulo: Boitempo, 2004.

AGAMBEN, G. O que é contemporâneo? E outros ensaios. Chapecó, SC: Argos, 2009.

ARANTES, P. Extinção. São Paulo: Boitempo, 2007.

ARENDT, H. Eichmann em Jerusalém. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

ARENDT, H. As origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

BENJAMIN, W. O narrador. In: BENJAMIN, W. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. v. I. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994a. p. 197-221.

BENJAMIN, W. Experiência e pobreza. In: BENJAMIN, W. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. v. I. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994b. p. 114-119.

BENJAMIN, W. Sobre o conceito de história. In: BENJAMIN, W. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. v. I. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994c. p. 221-232.

CANCLINI, N. G. Culturas híbridas: estratégias para sair e entrar da modernidade. São Paulo: Edusp, 2015.

CANDIDO, A. Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006.

CANDIDO, A. Literatura e subdesenvolvimento. In: CANDIDO, A. A educação pela noite e outros ensaios. 6. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2011. p. 169-196.

CARVALHO, B. O sol se põe em São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

CARVALHO, Bernardo. Fiction as exception. Luso-Brazilian Review, Madison, v. 1, n. 47, p. 1-10, 2010.

CARVALHO, B. Simpatia pelo demônio. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

FRIEDMAN, N. O ponto de vista na ficção: o desenvolvimento de um conceito crítico. Revista USP, São Paulo, n. 53, p. 166-182, mar./maio 2002.

FRIGHETTO, G. N. Contradições do contemporâneo: a memória, o nacional e o universal em O sol se põe em São Paulo e Diário da queda. 2016. 273 p. Tese (Doutorado em Letras) – Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.

GAGNEBIN, J. M. Lembrar escrever esquecer. São Paulo: Editora 34, 2009.

GRÜN, Roberto. Construindo um lugar ao sol: os judeus no Brasil. In: FAUSTO, Boris (Org.). Fazer a américa: a imigração em massa para a América Latina. 2. ed. São Paulo: Edusp, 2000. p. 353-381.

HUTCHEON, L. A poetics of postmodernism: history, theory fiction. Digital edition. Taylor & Francis e-Library, 2004.

JAMESON, F. Pós-modernidade e sociedade de consumo. Novos Estudos, São Paulo, n. 12, p. 16-23, jun. 1985.

JAMESON, F. Documentos de cultura, documentos de barbarie: la narrativa como acto socialmente simbólico. Madrid: Gráficas Rogar/ Fuenlabrada, 1989.

JAMESON, F. Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. 2. ed. São Paulo: Ática, 2007.

LAUB, Michel. Diário da queda. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

LEJEUNE, Ph. Le pacte autobiographique. Paris: Éditions Points, 1996.

LUKÁCS, G. O romance como epopéia burguesa. In: LUKÁCS, G. Arte e sociedade: escritos estéticos 1932-1967. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2009. p. 193-243.

MAIA, A. P. Enterre seus mortos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

NOVAES, A. Crepúsculo de uma civilização. In: ______. Civilização e barbárie. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 7-18.

OLIVIERI-GODET, R. Figuras da violência urbana no romance brasileiro contemporâneo. In: SOUZA, L. S. de; NOVAES, C. C.; SEIDEL, R. H. Figuras da violência moderna. Feira de Santana: UEFS Editora, 2010, p. 141-158.

PELLEGRINI, T. Realismo: a persistência de um mundo hostil. Revista Brasileira de Literatura Comparada, Rio de Janeiro, n. 14, p. 11-36, 2009.

RAMA, Á. Transculturación narrativa en América Latina. 2. ed. Buenos Aires: Ediciones El Andariego, 1984.

TERRON, J. R. Noite dentro da noite. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

TODOROV, T. Introdução à literatura fantástica. São Paulo: Perspectiva, 1975.

VELOSO, C. Velô. Rio de Janeiro: Philip Records, 1984.

WATT, I. A ascensão do romance. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

WILLIAMS, R. Marxismo e literatura. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.

WILLIAMS, R. Cultura e materialismo. São Paulo: Editora Unesp, 2011.

WOLFF, J. H. Telquelismos latino-americanos: a teoria francesa no entrelugar dos trópicos. 2001. 456 p. Tese (Doutorado em Teoria Literária) – Programa de Pós-Graduação em Literatura, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001.

WOLFF, F. Quem é bárbaro? In: NOVAES, A. (Org.). Civilização e barbárie. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 19-43.

Published

2019-12-31

Issue

Section

Dossiê – Artigos